Menopausa não é o fim de nada
O que realmente acontece com o corpo nessa transição, quais sintomas merecem investigação e por que a terapia hormonal voltou para a mesa de discussão.
Por Dra. Gabriela Giannini ·
A menopausa é definida por um marco simples: doze meses sem menstruar. O que confunde é tudo o que acontece antes disso, na perimenopausa, quando os ciclos ficam irregulares e os sintomas começam sem que a menstruação tenha parado.
Muita paciente chega ao consultório achando que precisa apenas aguentar. Ondas de calor, insônia, alteração de humor, ressecamento vaginal e queda de libido não são preço a pagar pela idade. São sintomas, e sintoma tem conduta.
O que merece investigação
- Ciclos que mudam de padrão antes dos 45 anos.
- Sangramento após um ano sem menstruar, que sempre precisa ser avaliado.
- Sintomas que atrapalham o sono, o trabalho ou a vida sexual.
- Dor ou desconforto na relação que apareceu nessa fase.
- Histórico familiar de osteoporose ou fratura por fragilidade.
E a terapia hormonal
A terapia hormonal passou por anos de medo depois de um estudo dos anos 2000 que foi mal interpretado pela imprensa. Hoje sabemos que, para a maioria das mulheres que inicia até dez anos depois da menopausa e antes dos 60, o balanço entre benefício e risco costuma ser favorável.
Não existe resposta única. Existe a sua história clínica, o seu risco cardiovascular, o seu histórico de câncer na família, e a decisão que fazemos juntas a partir disso.
Em consulta eu avalio contraindicações, peço os exames necessários e apresento as opções: hormonal ou não hormonal, oral ou transdérmica, com ou sem progesterona. Você sai sabendo por que aquela foi a escolha.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Cada caso tem particularidades que só podem ser avaliadas individualmente.
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