O que eu vejo na lâmina que o olho nu não vê
Por que tratar corrimento pela aparência erra em mais da metade das vezes, o que a microscopia de conteúdo vaginal mostra de fato e por que a lâmina de controle é a parte que quase todo mundo pula.
Por Dra. Gabriela Giannini ·

Existe um dado que costuma surpreender: o tratamento de corrimento feito apenas pela observação a olho nu, mesmo por um profissional experiente, erra em mais da metade das vezes. Não é falta de competência. É que aparência e causa, aqui, simplesmente não andam juntas.
Candidíase, vaginose bacteriana e alterações da flora podem produzir corrimentos parecidos. E, na direção contrária, a mesma condição se apresenta de jeitos diferentes em pessoas diferentes. Por isso eu coleto a microscopia do conteúdo vaginal na consulta e analiso a lâmina eu mesma.
O que a lâmina mostra
Através desse exame dá para observar as células da região, as bactérias e os fungos da microbiota, e entender se aquele ecossistema está em equilíbrio ou não. É a diferença entre saber o que está acontecendo e supor.

Células da região e a microbiota que convive com elas. 
Flora preservada, com bacilos na quantidade esperada. 
Padrão alterado, o que muda completamente a conduta. 
A lâmina de controle: o equilíbrio voltou ou não.
A parte que quase todo mundo pula
A melhora do quadro que está te incomodando começa por um diagnóstico correto. Mas ela continua depois do primeiro tratamento, e é aí que a maioria dos casos se perde: o sintoma some, o caso é dado por encerrado, e alguns meses depois tudo volta.
O objetivo não é só melhorar o sintoma. É recuperar o equilíbrio da região íntima e reduzir as recorrências, e isso só se confirma com uma nova lâmina.
Por isso trabalho com uma lâmina de controle depois do tratamento. Ela responde a única pergunta que importa no fim: a flora se restabeleceu de verdade, ou ainda existe algo mantendo o quadro?
O que costuma manter o corrimento voltando
- O diagnóstico estava errado desde o início.
- O tratamento foi curto demais para o quadro.
- Uso repetido de antibiótico, que desorganiza a flora.
- Produtos de higiene íntima e duchas.
- Reexposição na relação sexual. Na minha experiência, o preservativo é o que mais ajuda a quebrar o ciclo.
Também coleto, quando indicado, o painel de infecções sexualmente transmissíveis por PCR, que investiga tricomoníase, clamídia e gonorreia. Essas amostras vão para o laboratório e são essenciais, porque várias dessas infecções cursam sem sintoma nenhum.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Cada caso tem particularidades que só podem ser avaliadas individualmente.
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